Mulher liberada de hospital passa dia das mães com feto morto

O caso de uma gestante, que descobriu que o bebê estava morto, tem repercutido no município de Mimoso do Sul, na região Sul do Espírito Santo. Ela procurou por atendimento médico, onde fez exames que detectaram a morte do feto. Em seguida foi liberada para ir para casa, onde passou o Dia das Mães — comemorado neste domingo (14) — com o filho morto dentro da bariga.

Um servidor da Câmara Municipal, Sergio Luis da Silva, postou a situação da jovem na rede social em tom de denúncia. “A irmã da gestante buscou ajuda na Casa de Leis para conseguir um melhor atendimento médico da jovem. Ela teria sido liberada para passar o Dia das Mães em casa. Parece que o médico tinha detectado que o bebê já estava morto há alguns dias”, contou.

A fim de esclarecer o caso, a reportagem entrou em contato com o hospital Pedro Apóstolo. O médico que assiste a jovem explicou que ela havia completado 16 semanas de gestação, quando descobriu a morte do feto. A grávida recebeu licença para passar a data em casa, pois, segundo o médico, não havia riscos à saúde da mulher. Foi informado ainda que o aborto deve acontecer espontaneamente. Para monitorar o caso, a jovem retornou nesta segunda-feira (15) ao hospital, onde permanece internada na unidade..

Procedimento

O médico ginecologista e obstetra André Maitan explica que o procedimento médico adotado em gestantes que, por complicações, tiveram a morte dos fetos é o aborto espontâneo.

“O colo do útero tem que aguardar expulsão. Se cortar, pode perfurar o útero e o risco é maior para a mulher. Nesta fase, 16 semanas, o feto já tem ossos e pode perfurar o útero, causando uma hemorragia, infecção e morte. A melhor forma é esperar o aborto espontâneo”, comentou.

O especialista ainda comenta que há medicamentos administrados em hospitais que aceleram o método. O tempo normal para que o aborto ocorra pode durar de uma semana a até dois meses. “Por isso o pré-natal, com bom acompanhamento médico é tão importante para evitar complicações durante a gravidez”, ressaltou Maitan.